Neste artigo, a Arquiteta Michelle Faura Ferrarini explora sobre o design de cadeiras, sua diversidade e a natureza de suas ligações.
Olá meus queridos leitores. Antes de mais nada gostaria de desejá-los um Feliz 2011. Bem, começo o ano explorando um tema pela qual, como qualquer arquiteto, sou extremamente apaixonada: Cadeiras!
Projetada por Charles e Ray Eames em 1948, a poltrona La Chaise foi concebida para a competição do "Organic Design in Home Furniture" ou seja, o Design orgânico dos móveis residenciais, no Museu de Arte Moderna de Nova York. A poltrona é tão interessante que serve ao mesmo tempo para sentar ou deitar devido às suas formas ergonômicas. Clean, moderna, funcional, lúdica, elegante, sofisticada e simples! Impossível definir esta poltrona apenas com uma palavra!
A cadeira é uma das peças mais estudada, produzida e criada durante toda a história da evolução do design. Além disso, é o artefato sobre o qual mais se escreveu e que mais é apreciado pelos usuários. Mas por que será que esse objeto é tão importante em nossas vidas?
Projetada pelo designer argentino Batti, esta cadeira chama-se placentero. Ela foi nomeada assim justamente por aconchegar tão bem a pessoa e fazer uma alusão à placenta. O designer afirma que desenvolveu vários estudos sobre a experiência dos seres humanos antes do nascimento Não é demais?
Segundo Charlotte e Peter Fiell “ao nível funcional, a cadeira cria ligações físicas e psicológicas com o indivíduo que nela senta através da sua forma e uso de materiais. Ao mesmo tempo, pode incorporar significados e valores ligados ao utilizador a nível intelectual, emocional, estético, cultural e até espiritual.”
Com design de Eero Aarnio e denominada Bubble Chair ou "Cadeira Bolha", esta cadeira é mais uma criação fantástica, funcional, confortável e super style!
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Desta forma, percebe-se que a cadeira não é apenas um mero mobiliário de sentar, mas pode se tornar uma peça que nos permite criar vínculos afetivos, transmitindo e repassando sentimentos e emoções.
Projetada pela designer Baba Vacaro, a poltrona Mandacaru consiste em 6 almofadas unidas como pétalas de flor. Uma ideia simples e extremamente interessante.
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Além do mais, no design de cadeiras, um dos assuntos interessantes é o conceito de suas ligações, já que nenhum outro tipo de mobiliário possibilita criar ligações entre elementos de forma tão diversificada. E, devido a esse fato, os designers e as indústrias investem no projeto e produção de cadeiras mais do que em qualquer outro tipo de móvel.
Projetada por Verner Panton em 1960 a Panton Chair é uma cadeira super clássica do design moderno! Uma curiosidade: foi o primeiro modelo moldado por injeção de um só material em uma só peça.
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Fiell ainda afirma que “o sucesso de uma determinada cadeira sempre dependeu da qualidade e da gama de ligações que ela cria, ou daquilo que o designer consegue fazer através dela, atendendo a uma necessidade específica.”
A cadeira Coconut foi projetada por George Nelson em 1955 e é outro ícone do design internacional. Curiosidade: como sugere seu nome "Coco", sua forma foi inspirada na secção de um coco partido.
Já Frederick S. diz: “as ligações, as ligações. Serão no final estes pormenores que dão vida ao produto”.
Esta poltrona é uma opção ecológica super bacana. O nome dela? Poltrona Sushi projetada por Fernando e Humberto Campana. Ela é feita de poliuretano, EVA, feltros, plásticos e sobras de tecido.
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J. & M. Neuhart afirmam que “eventualmente tudo se liga – pessoas, ideias, objetos, etc.,... a qualidade das ligações é a chave para a qualidade por si própria.”
Projetada em 1938 por Jorge Ferrari Hardoy, Juan Kurchan e Antonio Bonet, a poltrona Butterfly exibe todo o seu charme e a sua delicadeza nas mais diversas capas com estampas exclusivas.
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Em um sentido mais amplo, o design de cadeiras liga-se a diferentes ideologias, abordagens de fabricação e fatores econômicos. A cadeira também pode realizar ligações visuais e funcionais de acordo com o contexto a ser utilizado, incluindo até mesmo outros objetos e estilos. Mas, a ligação principal que a cadeira, o designer e o fabricante proporcionam é a universalidade de atração da cadeira e o impacto ambiental da sua construção, uso e possível venda.
Outra poltrona extraordinária é a Wassily, projetada por Marcel Breuer. Dá pra acreditar que um design tão moderno como este foi projetado em 1925? Curiosidade: a poltrona recebeu este nome pois foi desenhada especialmente para o apartamento do pintor Wassily Kandisky na Bauhaus (Escola de Arte, Design e Arquitetura na Alemanha).
Ao longo dos últimos 150 anos, a evolução da cadeira se desenvolveu juntamente com a arquitetura e a tecnologia, refletindo as necessidades e preocupações da sociedade. Como disse George Nelson em 1953 “todas as ideias verdadeiramente originais – todas as inovações no design, todas as novas aplicações de materiais, todas as invenções técnicas para o mobiliário – parecem encontrar a sua expressão mais importante na cadeira.”
Projetada originalmente em 1917 com acabamento em madeira natural, a revolucionária cadeira "Red and Blue" projetada por Gerrit Rietveld apareceu pintada desta forma em 1921 como resultado da sua associação ao movimento artístico De Stijl.
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Na atualidade este fato acaba sendo expresso através de cadeiras ergonomicamente confortáveis, refinadas e com acabamento cada vez mais perfeito. Em se tratando de cadeiras de escritório, por exemplo, o mercado acompanha os constantes avanços técnicos impostos por leis e normas relativas à saúde, segurança e bem-estar do usuário trabalhador.
Projetada por Arne Jacobsen em 1957, a poltrona "Egg" é o resultado da extensa pesquisa de Jacobsen no campo da leveza e das formas fluidas que requeriam um mínimo possível de acolchoamento para obter conforto. Curiosidade: a cadeira foi originalmente desenhada para o Royal SAS Hotel em Copenhagen.
De acordo com a grande maioria dos designers, conseguir uma boa solução para os problemas impostos pela cadeira é um desafio complexo já que, as cadeiras devem suportar pessoas de forma e tamanho variado, por períodos de tempo diferentes e por motivos diversos, seja para comer, ler, descansar, trabalhar, esperar, escrever ou estudar.
A cadeira "Ant" - formiga - foi projetada em 1951 por Arne Jacobsen. Ela foi desenvolvida em contraplacado moldado e atingiu um caráter de afirmação visual que teve e continua tento o maior sucesso.
Assim, cada posição de assento adquire seu próprio grau de significado social e grupo de convenções, incluindo as limitações ortopédicas. Para se ter uma ideia, na maioria dos casos, a cadeira suporta adequadamente o peso de quem a usa a uma determinada altura para que as pernas mantenham-se penduradas e os pés fiquem ao chão. “Nesta posição de assento convencional, o peso da cabeça e do torso é descarregado na pélvis e nas ancas”, afirma Fiell.
A poltrona Floris com design de Gunter Beltzig, foi lançada na Feira de Mobiliário de Colônia em 1966, sendo a primeira cadeira de uma só peça de plástico adaptada à produção em massa. Curiosidade: a cadeira explora ao máximo o potencial da fibra de vidro, e por meio de 2 moldes o ciclo de produção demorava em torno de apenas 5 minutos!
Porém, um dos maiores problemas com relação às cadeiras diz respeito à relação física de seu assento, nos obrigando muitas vezes a trocar de posição em uma média de 10 ou 15 minutos. Desta forma, “quanto mais exata for a forma da cadeira para proporcionar um suporte estático e postura (ideais) para uma estrutura humana média, mais ela garante o desconforto, e assim o stress psicológico das pessoas com anatomia fora da média ou daqueles que não querem assumir essa postura específica. Será, por isso, seguro dizer que, apesar de a capacidade de encontrar apoio lombar correto ser importante, especialmente em cadeiras de escritório, não é tão crucial como o fato de a cadeira permitir um movimento livre das pernas do utilizador e que este possa fazer ajustes frequentes de postura”, diz Charlote.
Fonte: http://designmuseum.org/
A pantower foi criada por Verner Panton em 1968 para a Exposição Visiona II.
Curiosidade: A cadeira foi considerada em certos meios no final dos anos 60, não como equipamento para a casa, mas como suporte para relações interativas.
Portanto, para uma posição de assento mais confortável e saudável, a cadeira deve permitir a liberdade de movimento e a variedade de posturas. E, apesar dessas considerações técnicas sobre a estrutura da cadeira, o mais interessante é a ligação que o usuário pode manter de forma física e psicológica de acordo com contextos culturais diferentes, sendo muitas vezes adquiridas por razões de ordem simbólica, estética e de moda.
Cadeira Anêmona, projetada pelos irmãos Campana em 2000. Além da forma, os materiais utilizados também são totalmente inovadores.
Fonte: http://www.rodadamoda.com/





